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Oney B. Borba

Oney Barbosa Borba. Advogado, jornalista, escritor, e pesquisador iapoense.

Nascido em 20 de dezembro de 1915, em Ponta Grossa. Desde a sua juventude militando em questões políticas a favor do povo, foi até preso, que segundo seus próprios relatos, era ainda menor de idade, por participar ativamente de movimentos estudantis contra a ditadura eminente na época, foi recolhido para a penitenciaria de Ahú, em Curitiba. Por ainda não ter maioridade foi transferido para o quartel do Corpo de Bombeiros, onde desde os primeiros momentos se prestou a aprender os exercícios e atividades dos “Homens do fogo”, que posteriormente serviria para seu objetivo principal, escapulir dali. 

Bem num dia das crianças, Oney consegue fugir por uma janela, e caindo de vários metros de altura protegido apenas por um paletó corta vento grosso que tinha jogado não chão, onde pousou e saiu em liberdade. Bem nem tanto, a partir daí teve que viver em clandestinidade. Até que, passado tempo sem lenço e nem documentos Oney consegue tirar sua carteira profissional, finalmente Oney conclui o curso de Direito pela Universidade Federal do Paraná. Concluído o curso, a partir de 1945 começa a advogar em Castro, tendo também, nas cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Pirai-do-sul, Itararé-SP e Tibagi, onde também foi promotor de 1946 a 1947. Teve quatro filhas com seu casamento com Valeska Martins Borba, Maria Índia, Marilda, Eneida e Jussara, da qual a Dª Eneida é moradora da nossa cidade até os dias de hoje.

Nesse meio tempo, Oney atuou como um grande salvador das memorias e histórias dos Campos Gerais, principalmente a dos povos que vive as margens do rio Iapó. Ele dizia que para compreender a história do Paraná em sua totalidade, os historiadores deveriam voltar-se para o passado da nossa cidade, a qual foi o grande centro político e econômico dos Campos Gerais nos séculos XVII e XVIII. Visto a importância da história Local e com fontes históricas importantíssimas para poder, até mesmo entender a história do Brasil, Oney dedicou-se a interpretar e a conservar esses documentos que remontam os séculos XVII, os quais se encontravam em estado precário e com total falta de preservação. 

Através desses documentos é que Oney se inspirava e tirava ideias para escrever seus casos e causos dos povos da região, recriando cenas históricas, algumas um tanto quanto macabras, como o caso da Mulher Fatal – Dona Angélica, a qual foi acusada de matar os seus três maridos – Outras um tanto preocupantes, e que nos faz pensar em como era difícil a vida no passado – a exemplo, o caso em que foi provado que o “senhor” matou, porem o culpado continua sendo o escravo – entre outras. Sempre com o cuidado de referenciar suas fontes nas notas de rodapé, famosas em seus escritos. Inclusive, foi Oney, o maior incentivador da criação do Arquivo Publico Municipal, que depois de montado e organizado na Casa da Cultura Emília Erichsen, tornou-se sua segunda casa, onde adorava ser chamado de “rato de arquivo”, fazendo alusão a sua estadia confortável entre papéis muito velhos e decompostos.

Oney foi integrante e sócio do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, do Centro de Letras do Paraná e da Academia de Letras dos campos Gerais. Entre seus trabalhos, estão inúmeros artigos em jornais tais como: Castro-Jornal, Jornal do Iapó, O Bravo, Novo Papel e o Cambuí, todos de Castro e no jornal curitibano O Dia e o Estado do Paraná. Além de vários livros inteiramente pesquisado, escrito, editado e publicado com apenas seus recursos, era ele que bancava tudo na maioria de seus livros. Entre os principais estão Telêmaco Mandava Matar (1972), Casos e Causos Paranaenses (1972), Preconceito e Violência (1984), Os Iapoenses (1986) e O Canhão do Guartelá (1991).

Em outubro de 1987 foi apresentado um projeto para Câmara Municipal de Castro, para conceder Titulo de Cidadão Honorário a Oney, o qual foi recusado, com 2 abstenções, 6 votos contras e 5 a favor, nisso, curiosamente, após uma semana foi homenageado pelo Governo Estadual, em solenidade realizada pelo Museu Paranaense. Apenas em 30 de dezembro de 1995, após oito anos da recusa, foi lhe concedido o Título de Cidadão Honorário de Castro.

Em 30 de dezembro de 2000, após cinco anos de sua honraria, vem a público a notícia de seu falecimento. Momento triste para a historiografia dos Campos Gerais, pois perdera seu maior fã. Mas como Fidelis Franco Bueno, outro historiador conterrâneo, disse: O resultado de sua pesquisa (de Oney) tornou-se matéria de consulta obrigatória para outros pesquisadores. 

Como Oney Lutou para salvar a memória do passado, graças as suas pesquisas ele também será lembrado, pelo menos, quando alguém precisar saber e ou estudar sobre fatos ocorridos de nossos antepassados nos Campos Gerais.


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